A cura do concreto é sempre um assunto em pauta, pois uma boa parcela de patologias, como fissuras e desgaste superficial, acabam sendo imputadas a ela. Na realidade, ela é, de fato, capaz de promover essas patologias, principalmente as fissuras, mesmo quando o executor afirma que efetuou a cura do concreto.

As fissuras estão muitas vezes associadas à perda de água do concreto, que promove a retração hidráulica, hoje subdividida em retração hidráulica inicial, que acontece nas primeiras 24 horas, e a retração complementar. Observamos, atualmente, que o conceito de cura está bastante disseminado nas obras, mas o pecado que se comete muitas vezes está ligado ao tempo em que os processos de cura são efetivamente iniciados.

Este atraso acontece principalmente porque, em pisos, há um longo período de trabalho de acabamento, que acaba durando de 8 a 12 horas, onde o concreto fica normalmente desprotegido, e o que pode acontecer com a retração hidráulica pode ser visto na figura abaixo:

Nesta figura podemos observar que com a concretagem efetuada sob ação de vento, a retração inicial pode ser muitas vezes mais elevada do que em ambientes fechados. Portanto, a alternativa que o executor tem para controlar a fissuração é trabalhar sempre protegendo o concreto do vento, principalmente no período em que se está aguardando que ele tenha rigidez para receber as operações de acabamento.

Essa proteção pode ser, por exemplo, com aplicação de produtos de cura especialmente formulados para esta fase da concretagem, que retardam a evaporação da água ou, mais simplesmente, cobrindo-se a placa de concreto com um plástico (lona plástica) até que o acabamento possa ser feito.

Públio Penna Firme Rodrigues
Junho/2006