O
mercado de revestimentos para pisos de concreto se desenvolveu
mais expressivamente no Brasil na década de 80, principalmente
com o advento de novos insumos na indústria de polímeros,
que permitiram um grande avanço tecnológico na formulação
de revestimentos, sobretudo aqueles à base de epóxi
e de poliuretano. Foi nesse momento que os revestimentos auto-nivelantes
de epóxi começaram a ocupar um espaço fundamental
em vários segmentos industriais, devido as suas destacadas
propriedades mecânicas, resistência química
e, sobretudo, fatores estéticos. Além disso, a grande
facilidade de limpeza inerente a este produto também colaborou
muito para que este tipo de revestimento conquistasse uma participação
razoável no mercado. Apesar
do Brasil ter tido nas décadas de 80 e 90 períodos
de grande instabilidade econômica, houve uma forte expansão
da base industrial, sobretudo nos setores: automotivo, alimentos & bebidas,
papel & celulose e farmacêutico. Com isso, o setor de
revestimentos para pisos começou a ofertar uma grande quantidade
de alternativas, passando por um forte crescimento.
Se por um lado a expansão do setor foi um fato relevante,
por outro, surgiram muitos aplicadores e fabricantes de pequeno
porte, porém com visão limitada, que enxergaram naquele
momento a oportunidade de explorar uma parcela dos negócios
em andamento. Com a falta de normas e de critérios apropriados
para a fabricação e aplicação de revestimentos
e o pequeno conhecimento dos clientes sobre o tema, o setor começou
a ficar com sua reputação em risco, uma vez que obras
de revestimentos executadas com produtos inadequados e aplicação
incorreta tiveram a ocorrência de patologias, projetando
uma imagem negativa para todo o segmento.
Preocupados com o futuro
do setor, foi organizado um grupo de trabalho composto, sobretudo
por fabricantes de revestimentos,
alguns consultores, fabricantes de equipamentos e ainda, laboratórios
de pesquisa e ensaios de materiais, para discutir uma forma de
estabelecer procedimentos, práticas recomendadas e discutir
a normalização dos vários tipos de revestimento
e de sua aplicação. Na busca de um espaço
institucional para reunir o grupo, houve forte apoio da ABCI -
Associação Brasileira da Construção
Industrializada.
A idéia inicial já era de se estabelecer uma associação.
Porém, tendo em vista que o tamanho do grupo era reduzido,
o rumo escolhido foi a criação de um grupo de trabalho
da ABCI e a decisão foi postergada. Mesmo com o acolhimento
da ABCI, foi sentida a necessidade de se ter uma plataforma mais
técnica para desenvolver o trabalho. Objetivou-se uma aproximação
com o IBRACON, que confirmou interesse pelo projeto e pelo grupo
de trabalho da ABCI, oferecendo então seu endosso técnico.
Naquele momento, a atividade
era conhecida como de “Pisos
Industriais”. Como o segmento de anticorrosivos anda paralelamente
ao de revestimentos para pisos, entendemos que a denominação
do grupo de trabalho deveria se expandir para abraçar adicionalmente
este segmento. Como o termo “Concreto de Alto Desempenho” era
do ponto de vista tecnológico o maior tema de interesse
naquela época, foi sugerido o nome “Revestimentos
de Alto Desempenho”, até porque se queria que o conceito
de desempenho fosse amplamente explorado, de forma a aumentar o
nível de conhecimento do mercado sobre estes materiais a
partir de uma ampla base de ensaios de laboratório. Daí o
surgimento do GT-RAD, Grupo de Trabalho de Revestimentos de Alto
Desempenho coordenado inicialmente pelo eng. Paulo Sérgio.
Alguns anos de trabalho,
muitas reuniões uma ampla bateria
de ensaios de laboratórios e pesquisa na bibliografia internacional,
e se conseguiu uma ampla base de dados e uma massa crítica
bastante bem formada sobre os “Revestimentos de Alto Desempenho” ou
RAD. Foi então que ocorreu a aproximação com
a ABNT com a norma quase madura, para avaliar a melhor forma de
gerar um projeto de norma. Nesta fase, a coordenação
da redação da futura NBR 14050 passou a ser do eng.
João Valentim.
Em 1997, no Instituto de
Engenharia ocorreu evento, prestigiado por grande quantidade
de interessados. A
norma foi lançada!
O evento compreendeu ainda um seminário, com a apresentação
de dois técnicos de nível internacional e uma grande
audiência. Naquele momento, o eng. Paulo Sergio assumiu a
presidência da ABCI, passando o eng. Günther Reinprecht
a coordenar os trabalhos do GT-RAD.
Após o estabelecimento da NBR 14050, o mercado passou por
mais uma crise econômica com forte retração,
também deste setor. A idéia original de uma associação
formal começou a se perder.
Certamente a norma teve uma
forte divulgação no
inicio, mas na seqüência, devido a falta de interesse
comum, parte da unidade perdeu–se junto com a plataforma
que foi gerada e o grupo, sem um novo objetivo de interesse comum
se desintegrou. As reuniões dos remanescentes foram se tornando
cada vez menos freqüentes, diminuindo pouco a pouco o número
de interessados.
A principal pauta das reuniões era a revisão do
texto da NBR 14050 que já mostrava certa defasagem em relação
a evolução dos materiais e das novas necessidades
que surgiam a cada dia: maior controle de parâmetros tais
como umidade da base, índices de rugosidade, planicidade,
condutividade, controle de cor, etc..
Com a saída da Montana do mercado de revestimentos de piso,
o então coordenador Wilson Baltasar (Montana) desligou–se
do grupo, passando a coordenação dos trabalhos ao
eng. Levon Hagop (READE), que se chamava CT 501 - Comitê Técnico
501 inscrito junto ao IBRACON, (tal fato deu–se com a extinção
da ABCI).
Após alguns anos, aprofundando os estudos, inclusive com
a participação de técnicos especializados,
houve grande avanço nas soluções das patologias
em RADs ocasionadas pela presença de umidade na base de
concreto.
Sentindo a necessidade de
ver a norma evoluir e de dar maior representatividade ao segmento,
o eng. Levon coordenou
o reencontro do grupo que participou
da elaboração original da NBR 14.050, convidando
ainda mais algumas empresas do segmento de RAD.
Com uma visão mais crítica sobre as prioridades,
e enriquecida pelo histórico dos participantes, analisou–se
o momento e desde as primeiras reuniões do grupo ampliado
a necessidade da universalização dos trabalhos e
da maior necessidade da divulgação fez se presente.
Neste período o advento da revista PI – Pisos Industriais
por intermédio do Ubiratan Sennes, organizando duas mesas
redondas com a participação de usuários de
RAD acabou criando um ambiente rico em discussões e em novos
objetivos, além de criar um fórum para o setor.
O grupo tomou como prioridade
desenvolver uma plataforma mercadológica
buscando a expansão do segmento de maneira regrada, para
tanto se preparou um planejamento estratégico setorial.
Este projeto de expansão foi denominado PEMP – Projeto
de Expansão de Mercado de Pisos, apontando várias
ações de marketing de alto impacto. Após alguns
meses de trabalho, o PEMP foi apresentado em uma seção
plenária no auditório da L. A. Falcão Bauer.
O projeto previu uma série de ações de mercado,
estruturadas através da criação de uma plataforma
de trabalho bastante forte, a ANAPRE – Associação
Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho.
Foi criado então um novo grupo de trabalho bastante representativo
com a participação de fabricantes de matérias
prima, consultores, fabricantes de RAD, com o principal objetivo
de gerar um estatuto para a associação. Após
diversos encontros e com suporte de assessoria jurídica
devida, foi apresentada em nova reunião plenária
no L. A. Falcão Bauer para mais de 50 representantes de
empresas do setor de pisos, os objetivos principais e o estatuto
da ANAPRE. Neste momento foram eleitas: a Diretoria
e o Conselho.
Oficialmente a ANAPRE foi fundada em 30 de abril de 2.004, tendo
sido eleito em seu primeiro mandato de presidente o eng. Levon
Hagop Hovaghimian.